Programador faz Doom rodar até em fones de ouvido

Resumo
  • O programador Arin Sarkisan adaptou Doom para rodar em fones de ouvido PineBuds Pro, usando firmware open source e um kit de desenvolvimento comunitário.
  • A adaptação utiliza uma interface em JavaScript e contatos UART para transmitir dados, enviando vídeo comprimido MJPEG a cerca de 2,4 MB/s para um servidor web.
  • O experimento demonstra a flexibilidade do software livre e a capacidade de rodar Doom em dispositivos improváveis, apesar das limitações de processamento dos fones.

Desde os anos 1990, Doom virou mais do que um jogo: tornou-se um teste informal de criatividade técnica. Ao longo das décadas, hackers e entusiastas conseguiram rodar o clássico shooter em calculadoras, geladeiras, testes de gravidez, tratores e até em PDF. Agora, o jogo roda em mais um dispositivo improvável: fones de ouvido sem qualquer tipo de tela.

O experimento mais recente foi desenvolvido pelo programador Arin Sarkisan, que decidiu levar o desafio para um território pouco óbvio. Em vez de um dispositivo com display, ele adaptou Doom para rodar em fones de ouvido sem fio, projetados apenas para áudio, sem capacidade gráfica nativa.

Por que Doom roda até em fones de ouvido?

O projeto, batizado de forma informal como Doombuds, não funciona em qualquer par de earbuds disponível no mercado. A experiência foi feita exclusivamente com os PineBuds Pro, um modelo que se destaca por adotar firmware totalmente open source e contar com um kit de desenvolvimento mantido pela própria comunidade.

Essa abertura técnica permitiu que Sarkisan explorasse caminhos que não seriam possíveis em fones convencionais. Em vez de tentar exibir gráficos diretamente no dispositivo — algo inexistente —, ele criou uma solução indireta. O jogo roda no hardware dos fones e envia os dados visuais para outro ambiente, contornando a ausência de tela.

Como funciona a adaptação técnica?

Para viabilizar o experimento, o programador Arin Sarkisan desenvolveu uma interface em JavaScript que se comunica com os PineBuds Pro por meio dos contatos UART presentes no hardware. Esses contatos permitem a transmissão de dados em nível baixo, normalmente usada para depuração e desenvolvimento.

A partir daí, o sistema envia um fluxo de vídeo altamente comprimido no formato MJPEG para um servidor web, usando uma ponte serial. Mesmo com limitações claras, a taxa de transferência chega a cerca de 2,4 MB por segundo, suficiente para gerar algo entre 22 e 27 quadros por segundo no vídeo transmitido.

Na prática, isso supera a própria capacidade do processador dos fones, que consegue rodar Doom a, no máximo, cerca de 18 quadros por segundo. Ou seja, o gargalo não está na transmissão, mas no poder computacional do dispositivo.

O resultado não é exatamente jogável no sentido tradicional, mas cumpre o objetivo central do projeto: provar que Doom pode rodar em praticamente qualquer coisa, desde que exista algum nível de acesso ao hardware.

O experimento reforça a cultura hacker em torno de Doom e do software livre. Além disso, mostra como projetos com código aberto permitem usos inesperados, expandindo os limites do que um dispositivo foi originalmente projetado para fazer.

Programador faz Doom rodar até em fones de ouvido

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