
Resumo
- O Spotify implementou um selo de verificação para artistas reais, como parte de suas medidas para combater conteúdos criados por inteligência artificial (IA).
- O selo de verificação será concedido apenas a artistas humanos que atendam a certos critérios, como engajamento e ouvintes recorrentes, além de movimentações na conta que comprovem sua identidade.
- A medida visa reduzir a confusão entre artistas reais e aqueles criados por IA, que têm feito sucesso em plataformas de música.
O Spotify anunciou uma nova medida para combater artistas criados do zero com inteligência artificial: um selo de verificação para seus músicos e bandas reais. A ideia é frear o aumento de conteúdos de baixa qualidade publicados na plataforma feitos inteiramente por IA.
Agora, apenas artistas humanos terão selos de verificação, mas serão necessários outros critérios para garantir essa identidade. Entre eles, estão engajamento e ouvintes recorrentes, além de movimentações na conta, como datas de shows, identificações que comprovem que se trata de um ser humano, entre outros exemplos.
Vale lembrar que a empresa já havia falado sobre o assunto em 2025, quando anunciou o reforço das medidas para identificação de conteúdos feitos por IA. Segundo o comunicado, o problema das IAs envolve o uso de deepfakes na voz, monetização via spam e melhorias na identificação do que é feito com IA ou não. A nova verificação chega como um reforço para essas medidas, que seguem em vigor.

Artistas de IA confundem usuários e muitas vezes fazem sucesso
O problema de artistas criados inteiramente por IA não é exclusivo do Spotify: a Deezer publicou um levantamento em 2025 em que 97% dos usuários não souberam responder quais músicas eram feitas por inteligência artificial ou não, e mais da metade das pessoas se mostraram incomodadas por isso. Além disso, 44% dos novos conteúdos que chegam à plataforma diariamente são criados por IA. A Deezer, inclusive, avisa ao usuário quando um conteúdo é feito por IA.
No Spotify, apesar das poucas informações sobre o quantitativo de músicas feitas por IA, também há meios de identificar se um conteúdo é gerado ou não por IA, graças às atualizações anunciadas ainda em 2025. Ainda assim, nem todo artista tem essa página devidamente atualizada, algo que será exigido agora com o novo selo de verificação.
Alguns casos têm sido apontados como exemplos de artistas feitos inteiramente por IA que fizeram sucesso entre os ouvintes do Spotify e chegaram a boas posições nos charts de mais streams. Segundo o site alemão Deutsche Welle, a banda country Breaking Rust teve a música mais ouvida em novembro de 2025 na lista da Billboard para o estilo, enquanto o grupo Velvet Sundown alcançou 1 milhão de ouvintes mensais antes de revelar sua produção como IA.

Medidas contra uso de IA de forma enganosa são tendência
Algumas formas de mitigar a confusão entre o que é real ou criado inteiramente com IA têm aparecido no mercado de tecnologia nos últimos meses.
Além da novidade anunciada pelo Spotify, Tinder e Zoom fecharam um acordo recente com a World, empresa cofundada por Sam Altman, da OpenAI, que faz reconhecimento de Íris em usuários. O objetivo aqui é impedir golpes online, principalmente em trocas de relacionamento.
Outra medida que chamou atenção recentemente envolveu a cantora Taylor Swift, que entrou com pedidos de registro de marca para sua voz e imagem.
O movimento tem como ideia evitar que suas características sejam usadas comercialmente por meio de inteligências artificiais, que podem trazer características de artistas reais em suas criações. A preocupação está alinhada com a medida tomada pelo Spotify, que também cita o uso de sons registrados sem autorização como um dos problemas da presença desenfreada de conteúdos feitos por IA na plataforma.
Spotify anuncia selo de verificação para artistas contra músicos de IA
