Spotify remove streams de canção após suspeita de fraude envolvendo apostas

Resumo
  • O Spotify removeu 500 mil reproduções da música “Earrings” do cantor Malcolm Todd após detectar streaming artificial.
  • A suspeita é que apostadores usaram bots para inflar números de streams e ganhar apostas em plataformas como Kalshi.
  • Segundo fontes, o Spotify pode adotar verificações extras para evitar manipulação em suas listas de músicas mais ouvidas.

O Spotify removeu cerca de 500 mil reproduções da música “Earrings”, do cantor Malcolm Todd, que havia alcançado o topo das paradas americanas na plataforma. O ajuste foi feito após uma investigação do serviço de streaming apontar indícios de streaming artificial.

Casos de robôs sendo usados para inflar números em plataformas musicais não são novidade, mas o caso em questão tem uma suspeita diferente: manipulação envolvendo a plataforma de previsões Kalshi. Apostadores podem ter lucrado com um hit pouco provável no Spotify.

O que se sabe sobre a suspeita de manipulação?

Plataformas como Kalshi e Polymarket permitem apostar em resultados de diversos tipos de eventos, como eleições, resultados financeiros, decisões políticas e esportes. No Brasil, as empresas desse ramo foram proibidas.

Nesse vasto cardápio, estão também acontecimentos do mundo do entretenimento, como vencedores de prêmios e listas de músicas mais tocadas.

A suspeita levantada pelo trader Caleb Davies é de que apostadores estariam usando bots para inflar números de streams de músicas específicas para ganhar apostas e embolsar o dinheiro. O top 1 de “Earrings” seria um desses casos.

Vale dizer que não existe nada que indique que o próprio artista esteja envolvido no episódio. Se houve realmente manipulação, a canção pode ter sido escolhida a esmo pelos apostadores.

Como nota o The Hollywood Reporter, a canção vinha aparecendo no top 5 de streams diários dos Estados Unidos nas últimas semanas. Mesmo assim, segundo o Financial Times, houve um salto de 70% no número de streams de um dia para outro.

Davies, que vinha investigando o assunto, diz que a probabilidade da música de Todd alcançar o top 1 de um dia para outro aleatoriamente era de 1 em 77 octilhões. “Earrings” no topo das paradas era tão improvável que nem constava nas opções do Polymarket, apenas do Kalshi.

Essa não seria a primeira polêmica envolvendo cultura pop e plataformas de mercados preditivos. Como lembra o THR, um editor do canal do youtuber MrBeast foi denunciado a autoridades dos EUA por uso de informações privilegiadas. Nos sites, é possível apostar em qual será a duração do próximo vídeo do canal e em quais palavras serão ditas pelo apresentador.

O que as empresas estão fazendo a respeito?

Davies entrou em contato com Spotify, Kalshi e Polymarket. A plataforma musical confirmou à Wired ter encontrado evidências de streaming artificial, mas não disse nada sobre quais seriam os objetivos da tentativa de manipulação.

O Kalshi afirmou estar em contato com o Spotify e investigando o incidente. Já o Polymarket ressaltou que não era possível apostar em Malcolm Todd e não encontrou nenhum indício de manipulação em suas investigações nas apostas envolvendo streaming.

Fontes ouvidas pelo THR dizem que o Spotify pediu ao Kalshi e ao Polymarket a remoção de seu logo dos sites de apostas. Além disso, a plataforma musical teria decidido adotar verificações extras antes de publicar suas listas de músicas mais ouvidas.

Com informações da Wired e do Hollywood Reporter.

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