Elon Musk e CEO da Ryanair trocam farpas sobre Starlink em aviões

A troca de críticas entre Elon Musk e o CEO da Ryanair, Michael O’Leary, começou como um debate técnico e rapidamente escalou para uma briga pública nas redes sociais. O ponto de atrito foi a possibilidade de adoção do serviço de internet via satélite Starlink, da SpaceX, na frota da maior companhia aérea de baixo custo da Europa.

Na última quarta-feira (14/01), O’Leary afirmou que nunca considerou seriamente instalar o sistema da Starlink em todas as aeronaves da Ryanair. Segundo ele, o peso da antena e o arrasto adicional gerariam aumento no consumo de combustível, elevando os custos operacionais.

A declaração provocou uma resposta quase imediata de Musk, que usou sua própria plataforma X para dizer que o executivo irlandês estava “mal informado” e que a Ryanair poderia perder passageiros para companhias que oferecessem o serviço.

Internet a bordo vale o custo?

A discussão levantou uma questão central para o modelo de negócios das companhias aéreas de baixo custo: passageiros que priorizam tarifas reduzidas realmente exigem internet rápida em voos curtos? Para O’Leary, a resposta é negativa.

Em entrevista à rádio irlandesa Newstalk, ele reforçou sua posição e foi além, afirmando que Musk “não sabe nada sobre voos e arrasto” e que a adoção do Starlink poderia custar até US$ 250 milhões por ano à Ryanair (cerca de R$ 1,34 bilhão em conversão direta).

“Eu não daria atenção alguma a Elon Musk”, disse O’Leary. “Ele é um idiota, muito rico, mas continua sendo um idiota”. A reação de Musk veio na última sexta-feira (16). O bilionário respondeu chamando O’Leary de “idiota absoluto” e afirmando que ele deveria perder o cargo. A Ryanair não comentou oficialmente o episódio.

Dois estilos que mudaram seus setores

O embate colocou frente a frente dois executivos conhecidos por estratégias agressivas e discursos diretos. À frente da Ryanair há mais de três décadas, O’Leary transformou uma pequena companhia regional na maior aérea de baixo custo da Europa, alterando padrões de preços, serviços e rotas no continente.

Musk, por sua vez, construiu uma reputação ao desafiar indústrias consolidadas. Além de liderar a SpaceX, responsável por mudanças profundas no mercado de lançamentos espaciais, ele também comanda a Tesla, uma das principais fabricantes de veículos elétricos do mundo.

Apesar da disparidade de patrimônio entre os dois, O’Leary também colhe frutos financeiros de sua gestão. Em 2028, ele poderá receber um bônus de até 100 milhões de euros (R$ 625 milhões) caso atinja metas de desempenho estabelecidas pela companhia.

A troca de insultos, no entanto, mostra que, mesmo entre líderes acostumados a números bilionários, disputas públicas ainda podem surgir de decisões aparentemente técnicas.

Com informações do Bloomberg Línea

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