Linus Torvalds lança o Linux 7.0; conheça as novidades

Resumo
  • Linus Torvalds lançou o Linux 7.0 no dia 12/04 (domingo); versão saiu de 6.19 para 7.0, mas sem significado especial para essa numeração;
  • Linux 7.0 melhora swap em até 20%; versão também amplia suporte a chips Intel Nova Lake, GPUs Intel Arc, Xeon 7, AMD Zen 6, RISC-V e LoongArch;
  • novo kernel também melhora suporte a EXT4 e exFAT, e torna linguagem Rust padrão para alguns recursos.

Dando sequência à tradição de anunciar uma nova versão do kernel aos domingos, Linus Torvalds lançou o Linux 7.0 no último dia 12. Como sempre, a novidade traz um pacote de aprimoramentos, com destaque para o gerenciamento melhorado de swap e incrementos no suporte a chips.

No anúncio oficial, o “pai do Linux” comentou:

A última semana do lançamento continuou com a mesma tendência de “muitas pequenas correções”, mas tudo parece estar muito tranquilo, então marquei a versão final 7.0 e a publiquei.

Linus Torvalds

Torvalds se refere ao fato de que, nas últimas semanas, os trabalhos de ajustes e correções no Linux 7.0 foram intensos, mais do que de costume. O próprio Linus levantou a possibilidade de esse cenário ter sido um efeito do uso de recursos de IA na busca de problemas no projeto.

Seja como for, com o lançamento, o projeto pulou do Linux 6.19 para o Linux 7.0. Mas esse número arredondado não tem nenhum significado especial. Torvalds já havia dito que a numeração 7.0 representa apenas um “progresso sólido” e, bem-humorado, deu a entender que não gosta de sequências grandes.

Mas vamos ao que interessa: as principais novidades do Linux 7.0.

Gerenciamento de swap melhorado

O swap consiste em um espaço no SSD ou HD que é usado como uma espécie de extensão da memória RAM quando esta fica cheia. Nessas circunstâncias, dados menos prioritários são transferidos temporariamente para o swap para que a RAM seja usada para processos mais importantes naquele momento.

No kernel Linux 7.0, os dados são recuperados do swap (voltam para a RAM) com até 20% mais desempenho. Se a Zram (função que comprime os dados na RAM para liberar espaço) estiver ativada, também há ganho de desempenho, pois não é mais preciso descompactar os dados existentes ali nas operações de escrita — os dados podem ser escritos já compactados.

Novidades para chips Intel

Continuando os esforços iniciados no Linux 6.19, o kernel Linux 7.0 amplia o suporte aos processadores Intel Nova Lake, previstos para serem anunciados oficialmente até o fim de 2026.

A nova versão também amplia os parâmetros de monitoramento de temperatura de GPUs Intel Arc por meio de uma atualização de driver, bem como permite o uso de D3cold em placas de vídeo Arc série B para melhorar a economia de energia durante momentos de ociosidade.

Outro avanço está no suporte ao driver NTB para conexão direta entre dois computadores em máquinas baseadas nos futuros chips Xeon 7 (Diamond Rapids), a serem lançados até o fim do ano.

E novidades para chips AMD

No ecossistema da AMD, o Linux 7.0 chama a atenção por trazer suporte introdutório aos processadores com arquitetura Zen 6, apesar de esses chips ainda estarem longe do lançamento oficial, sendo esperados para o fim de 2026 ou, mais provavelmente, para 2027.

Também há ajustes de desempenho no suporte a GPUs antigas que, na versão anterior do kernel, passaram a usar o driver gráfico AMDGPU.

Avanços em sistemas de arquivos

O sistema de arquivos EXT4, padrão no Ubuntu, por exemplo, ficou mais rápido na escrita de dados para operações simultâneas de entrada e saída (I/O).

Já o sistema de arquivos exFAT, mais comum em cartões de memória e pendrives, melhora o tratamento de múltiplos clusters (blocos fixos de dados) de modo que leituras sequenciais se tornem mais rápidas, especialmente quando clusters com menos de 32 KB são usados.

Além disso, o sistema de arquivos XFS, normalmente usado em aplicações profissionais, passou a contar com suporte a um modo de autorrecuperação de falhas que o torna ainda mais confiável.

O que mais há de novo no Linux 7.0?

Entre as demais novidades do Linux 7.0 merecem destaque:

  • Rust definitivo: considerada mais moderna e segura, a linguagem de programação passou de “experimental” para padrão no desenvolvimento de determinados recursos do kernel;
  • RISC-V mais seguro: agora há suporte a extensões de segurança Zicfiss e Zicfilp em máquinas com chips de arquitetura RISC-V;
  • LoongArch aprimorada: agora também há suporte para cmpxchg (mecanismo de comparação e troca de dados via hardware) de 128 bits para máquinas com arquitetura LoongArch.

Como obter o kernel Linux 7.0?

Por ser um kernel (núcleo do sistema operacional), o Linux 7.0 requer conhecimentos avançados para a sua implementação. Por isso, o melhor jeito de contar com essa versão é aguardar pela sua disponibilização na distribuição Linux que você usa.

Projetos como Arch Linux e Fedora podem receber o Linux 7.0 em breve. Já distribuições como Debian, Ubuntu e Linux Mint devem levar mais tempo para contar com a novidade, pois costumam atualizar o kernel com intervalos maiores, o que não é exatamente um problema: em linhas gerais, importa mais contar com um kernel bem implementado do que o mais recente.

Para quem já sabe compilar o kernel, o Linux 7.0 pode ser baixado via site oficial.

Com informações de It’s Foss e OMG! Ubuntu

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